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Petrolina e Juazeiro: crianças e adolescentes no crime, a busca incessante por atenção e glória

12 de set.
2 min de leitura

Tecnologia avançada e facilidades cotidianas colocam jovens em tribalismo para se mostrarem importantes


Foto da internet - Juazeiro-BA
Foto da internet - Juazeiro-BA

Quem mora em Petrolina e Juazeiro a pelo menos 4 anos, tem visto com uma certa frequência o assassinato de jovens por outros jovens dentro das comunidades. É verdade que isso não é de hoje, mas um fator preponderante que fez esse volume aumentar nos últimos anos foi justamente a presença de agremiações criminosas nas duas cidades.


Com organizações criminosas rivais buscando espaços na região, o enfrentamento não se dá pelas lideranças, mas pelos "pinhões" que se colocam em linha de frente. O que acontece é uma verdadeira chacina que ceifa vidas. Há registros de crianças de 12 anos sendo assassinada por envolvimento nesses meios. O maior número de mortes se concentra nas idades entre 17 e 22. Mas qual a explicação para a grande sedução dos jovens da região pelo mundo criminal?


Para explicar esse fenômeno sem arrogar inteligência ou pureza fatal, me socorrerei de uma frase dita pelo personagem Yoren, na série de televisão Game Of Thrones. Em um diálogo sobre jovens que acabam se dedicando a uma ordem religiosa e política, Yoren diz a seguinte frase:


"Alguns são pobres coitados procurando comida, outros bem nascidos procurando a glória."


E é aqui que está exatamente a explicação para a sedução dos jovens pelo crime organizado: eles veem essas organizações como algo que aguça a vaidade. Muito mais os homens. Se veem com força e poder, uma vez que fazem parte de uma agremiação procurada, oculta e poderosa. Não fosse a presença de outras estruturas iguais, andariam nas ruas gritando aos quatro cantos que fazem parte da dita.


Veja o cenário propulsor da perca dos jovens para o crime: sem organização familiar, escolas defasadas, poder público quase cego e uma vontade louca de se provar. É a receita do desastre. Mas, assim como esse cenário foi possível, o caminho inverso também o é. A solução passa necessariamente pelo esporte. É o local onde eles se provam e podem disputar abertamente holofotes e até desafiar os outros. Fácil, né?


Assassinato de mulher no bairro São Gonçalo - ano 2017 - Foto meramente ilustrativa
Assassinato de mulher no bairro São Gonçalo - ano 2017 - Foto meramente ilustrativa

É fácil, mas será um exercício de paciência. A situação atual levou anos para se colocar, então o serviço inverso também o levará. É isso que é difícil. Ao passo que cria alternativas, tem que eliminar a má alternativa.



 
 
 

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